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ARTIGO 07/05/2018 08:49

Serviços digitais e o futuro de Mato Grosso

Nos últimos anos temos vivido uma série de mudanças tecnológicas que inseriu de vez a era digital em nossas vidas pessoais e em nossos negócios. No campo não é diferente. Mesmo com desafios estruturais maiores, como a falta de internet nas fazendas, dentro do universo de produtores que possuem a conectividade 95% utilizam WhatsApp, segundo a Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMR&A).

Como em toda revolução, ainda não sabemos se estamos mesmo no início, no meio ou no fim, todavia é fato que temos uma série de oportunidades para resolver problemas crônicos do campo com novas ferramentas e serviços. Pensando nisso, em 2016 nasceu dentro do Sistema Famato a rede de inovação em agricultura e pecuária chamada Agrihub, que tem o objetivo de conectar os produtores com empresas, statrtups e outros agentes de tecnologias.

O setor de serviços é considerado o maior da economia de Mato Grosso, representando 42% do PIB de 2015, segundo IBGE, e o que mais está avançado no meio digital globalmente, haja vista as maiores empresas do mundo como o Google e o Facebook.

Dentro deste contexto, quando analisamos o agronegócio e o Mato Grosso, percebemos que o nosso estado e o Brasil fizeram o que ninguém acreditava há 35 anos: se tornar uma das maiores potências mundiais em produção de alimentos.

Voltando para 2018, Mato Grosso e o Brasil têm mais uma chance de fazer o que ninguém está esperando: se tornar uma grande potência em serviços digitais para o agronegócio. Mas por quê? Eu explico.

Quando analisamos os números do Estado, verificamos que o setor agropecuário e seus efeitos indiretos, incluindo a agroindústria e os serviços agro, representa 50% da economia e 33% dos empregos. E onde está a diferença do nosso setor para ter essa forte representatividade na economia? No ganho de produtividade com as máquinas, insumos de ponta e nos serviços agrícolas.

Falamos muito de agroindústria no Estado, mas esquecemos do maior setor da economia: serviços. Em um mundo globalizado este é um mercado enorme e sem fronteiras, principalmente após o advento da internet e dos novos meios de pagamentos.

As primeiras startups com serviços digitais já estão nascendo dentro de Mato Grosso, como, por exemplo, a Escola Agro, a Grão Online e a Plantae, sendo esta última uma das finalistas do programa de aceleração InovAtiva Brasil. E o mais interessante é que cada uma delas atua em um segmento distinto. A Escola Agro, por exemplo, atua na área de geração de conhecimento para mão de obra, a Grão Online na comercialização de grãos e a Plantae na gestão agrícola. Isso demonstra que existem vários campos de atuações, que muitas vezes estão escondidos.

Portanto, com uma área agrícola de 9,6 milhões de hectares, um rebanho de 29,5 milhões de cabeças, empreendedores nos meios rural e urbano, instituições de apoio e parques tecnológicos, temos o ambiente perfeito para desenvolver, com estratégias de longo prazo, um dos maiores polos de serviços digitais para a agricultura do país, gerando mais excedentes, empregos, renda e impostos para Mato Grosso.

*Daniel Latorraca Ferreira, economista, superintendente do Imea e head do Agrihub (site: agrihub.org.br; e-mail: daniel@imea.com.br)


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